EDICC 12

12º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura

Projeto Microbioma

Roberta Jancis Naufal (Colégio Viver)

Associados a danos e doenças, pouco se comunica que um conjunto de microrganismos, denominado microbioma, nos constitui predominantemente. O corpo humano é um complexo ecossistema em que as células descendentes do óvulo fertilizado representam apenas uma fração do total – a maior parte do nosso corpo é não humana. Partindo deste contexto, em uma ação no espaço expositivo, convoquei o público à doação de micróbios, por meio da coleta de materiais biológicos (saliva, cerúmen, suor, secreção nasal) e cultivo em placas de Petri. Esta transferência permite que eles se desenvolvam fora do nosso corpo e se multipliquem, tornando-se visíveis a olho nu. Na busca da visibilidade do microbioma humano, as placas foram expostas para monitoramento público, durante o período expositivo, desta extensa variedade de formas e cores das colônias microbianas que se altera ao longo dos dias.

As presentes fotografias propõem o microbioma humano, comunidade de microrganismos que constitui o nosso corpo, como disparador de experiências no contexto das artes visuais. Os registros foram realizados durante a exposição “Daqui Partimos”, ocorrida no Museu de Arte Brasileira – MAB FAAP Centro, em 2023. O trabalho Projeto Microbioma (2023) integrou a mostra coletiva, tendo a sua ativação no dia da abertura (30/09/23) e os registros das placas de Petri atualizados até a data de encerramento (02/12/23). 

Ciência em visita: exposição de uma tarde no evento ciência aberta 2025

André Luiz de Moraes (Unicamp)

A exposição fotográfica retrata uma tarde no evento Ciência Aberta 2025, realizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). As imagens capturam com detalhes os diversos objetos e equipamentos expostos, que revelam o universo da pesquisa científica e como a ciência é divulgada para a sociedade.

Cada fotografia destaca aparelhos de última geração, experimentos em demonstração e painéis informativos que traduzem temas complexos em linguagem acessível. Os registros valorizam a estética dos equipamentos, as texturas dos materiais e os contrastes das cores, evidenciando o cuidado com que o CNPEM apresenta seus avanços tecnológicos.

Essa mostra visual ressalta o papel da divulgação científica como instrumento fundamental para aproximar o público das descobertas e inovações. Ao focar nos objetos, a exposição revela como a ciência pode ser tangível e concreta, convidando o observador a explorar os detalhes que compõem o cenário da investigação científica.

Assim, as fotografias funcionam como uma janela para o conhecimento, mostrando que a ciência está presente em dispositivos, modelos e aparatos que traduzem anos de pesquisa e dedicação. Através dessas imagens, o evento Ciência Aberta reafirma o compromisso de tornar a ciência acessível e compreensível para todos.

Bruno Bassi Millan Torres

Instituto de Física de São Carlos, USP

Esta mostra de Artes Visuais contempla cinco fotografias realizadas durante um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo, o Ciência Aberta 2025, que contou com a presença de mais de 38 mil pessoas em dois dias de evento. O público pode ver de perto o Sirius, o acelerador de partículas brasileiro, e aproveitou mais de cem atividades realizadas ao longo dos dias 30 e 31 de maio. 

As fotografias foram realizadas pelo fotógrafo amador Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira, com câmera Cannon T5i, com auxílio de Bruno Bassi Millan Torres, que ficou responsável pela escolha e tratamento das fotografias para a composição desta mostra visual, submetida ao EDICC 2025.

As fotografias escolhidas apresentam algumas das atividades e artefatos científicos da iconoclastia do centro de pesquisa, que sintetizam conceitos científicos importantes, como os eletroímãs presentes no acelerador de partículas, e a representação esquemática, usando lego, de um microscópio de força atômica. Já outras das imagens selecionadas ilustram a equipe de divulgadores científicos da estação experimental IMBUIA, da qual Marcos e Bruno fazem parte. Uma última imagem representa uma palestra proferida por uma das figuras mais importantes na criação do acelerador, a pesquisadora Liu Lin.

A cidade e o trabalho

Mariana Vicente Zilli (Unicamp)

Esta sequência de fotos foi desenvolvida como resultado do trabalho de campo realizado no âmbito das atividades do grupo de pesquisa diADorim. O projeto busca registrar e refletir sobre as múltiplas dimensões do trabalho urbano, evidenciando práticas, espaços e interações que compõem a rotina laboral em diferentes contextos da cidade.

A narrativa visual constrói-se a partir de imagens captadas em diferentes pontos do espaço urbano, revelando tanto a materialidade do trabalho — ferramentas, equipamentos, gestos e produtos — quanto suas dimensões humanas, sociais e culturais.

O fogo que cura

Beatriz Ortiz de Camargo Aleixo Lopes (Unicamp)

Desde os anos 1980, estudos em Ecologia de Ecossistemas apontam que o Cerrado é um ecossistema moldado por distúrbios naturais, como o fogo e o pastoreio por herbívoros, e que depende desses distúrbios para se manter. Com décadas de políticas de supressão do fogo — baseadas na lógica de proteção das florestas tropicais —, grande parte do Cerrado brasileiro passou a sofrer um processo de adensamento lenhoso (“woody encroachment”), transformando-se em Cerradão, uma forma de floresta empobrecida, dominada por espécies generalistas e com perda de biodiversidade típica das savanas.

Pesquisas do projeto “Campos naturais do estado de São Paulo: diagnóstico, manejo e conservação” – chamado comumente de Biota Campos –, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), indicam que é essencial manejar o fogo, de forma controlada, no Cerrado: tanto para prevenir incêndios catastróficos quanto para manter os habitats adequados à fauna e flora endêmicas do Cerrado. Estes estudos comprovam que o fogo favorece a diversidade do bioma e que a ausência de queima é prejudicial para o ecossistema, o que contraria a visão negativa sobre o fogo, herdada de estratégias de conservação da Amazônia e da Mata Atlântica, onde ele realmente representa ameaça.

Os pesquisadores que integram o projeto Biota Campos vão regularmente a campo para conduzir pesquisas sobre os efeitos das queimadas controladas no Cerrado. As fotografias a seguir representam uma viagem realizada à Estação Ecológica de Santa Bárbara, uma das maiores Unidades de Conservação (UC) do Cerrado no Estado de São Paulo, localizada em Águas de Santa Bárbara (SP). As primeiras quatro fotos foram tiradas em julho de 2024, quando foi realizada uma série de queimadas controladas e experimentais, com fins de pesquisa, em parcelas pré-determinadas da UC. Já a última foto foi tirada em setembro de 2024, dois meses depois da queima controlada, quando a vegetação se restabelecia. Todas as fotos foram produzidas pela bolsista de Jornalismo Científico (JC) do projeto Biota Campos, Beatriz Ortiz, com o apoio de uma máquina fotográfica de modelo Nikon D3100. As fotos não passaram por edição.

Possíveis legendas para cada uma das fotos seriam: (1)  pesquisadora realiza o manejo do fogo em parcela pré-determinada da vegetação do Cerrado; (2) pesquisadoras do Biota Campos gravam um vídeo, explicando o processo da queima controlada no Cerrado, para divulgar as principais metodologias da pesquisa nas redes sociais do projeto; (3) pesquisador coleta amostras de sementes de jacarandá para analisar a dispersão delas durante a queima controlada; (4) pesquisadora realiza o manejo do fogo em parcela; (4) uma casca marrom, que abriga as sementes de jacarandá, está semiaberta, permitindo a dispersão de sementes; (5) pesquisadora caminha em meio à vegetação do Cerrado, restabelecida dois meses depois da queima controlada.

O Biota Campos é um projeto temático, financiado pela Fapesp, cuja principal missão é ampliar conhecimentos sobre a biodiversidade dos campos naturais de São Paulo e estados vizinhos, por meio do mapeamento dos remanescentes de campos naturais; da caracterização do solo, da vegetação e da fauna; da conservação e da restauração desses ecossistemas por meio do manejo do fogo; entre outras atividades. Ele conta com cerca de 40 colaboradores, entre pesquisadores associados, pós-graduandos, estudantes de iniciação científica e treinamento técnico e funcionários de apoio técnico e administrativo, vinculados a diversas instituições nacionais e internacionais, como Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e outras.

ImaginaSons. Mesa de trabalho com as águas

Natalia Jorgelina König (Universidad Nacional de Río Negro)

Esta é uma seleção de cinco colagens fotográficas que fazem parte de “ImaginaSons y encuentros más que humanos”, uma série de 10 colagens fotográficas e sonoras criadas em colaboração entre Natalia König e Muriel Scarnichia, a partir de uma experiência de imersão, troca e deriva que ocorreu durante sua estadia, entre março e junho de 2025, em Campinas (São Paulo, Brasil), para trabalhar com o grupo “MultiTÃO – prolifer-artes subvertendo ciências, educações e comunicações” no Labjor (Nudecri-UNICAMP).

A técnica de colagem digital busca capturar a intersecção de linguagens, disciplinas, saberes, emoções e territórios. Imagens e sons emergem da convivência com estudantes, artistas, ativistas e pesquisadores em “mesas de trabalho” (Oliveira Dias, 2023), da intersecção com as águas, as plantas e outros seres, numa tentativa de “entrar em comunicação com um mundo todo vivo” (Oliveira Dias, 2020, p.2). 

É um possível testemunho dos encontros transdisciplinares e multiespécies que se entrelaçaram, transcendendo as fronteiras entre artes, ciências, comunicações e filosofias.

Este trabalho é, acima de tudo, um exercício de observação, escuta e cocriação: uma série de encontros que ressoa além das fronteiras humanas, geográficas e disciplinares.

A série completa está disponível em <https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/imaginasons/>.  

Este trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

Kelly Naomi Matsui

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

As imagens submetidas foram realizadas como parte integrante de uma série de palestras como ação de Divulgação Científica e Cultural realizadas e produzidas pela autora no Observatório Dietrich Schiel do Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo, onde a autora atuava como monitora.

As imagens foram utilizadas para compor o material de divulgação e o material visual das palestras, as imagens são ilustrações digitais ou composições com ilustração digital.

Cada imagem foi utilizada em composição para capa da palestra e dos materiais de divulgação tendo como intenção instigar o público para a temática abordada pela palestra.

As imagens possuem a temática da palestra, com conteúdo que traz parte do conteúdo que foi abordado nas palestras.

Bruna Nubile Maynart Lemos

Na minha trajetória de vida, a pesquisa acadêmica ocupa um lugar de elaboração de traumas. Traumas coletivos, psicossociais e intergeracionais. Foi assim que essa elaboração migrou do campo da racionalidade científica para o campo do inconsciente artístico, imagético e simbólico.

Sou psicóloga, militante socialista e artista colagista. Minhas colagens são expressão gráfica das lutas que me atravessam. Ressoam e articulam minha prática clínica, minha militância e minha subversão. Através da ressignificação de imagens, proponho uma reeducação dos sentidos — um convite à imaginação e à possibilidade de sonhar outros mundos possíveis. Falo de feminismo, opressões religiosas, anticolonialismo, socialismo, crise climática e sobre a urgência de romper com as hierarquias que sustentam as estruturas sociais tais como estão postas. Minha arte é ferramenta de denúncia e de reconstrução sensível do presente.

Colcha de Retalhos: Estética da Decolonialidade

Nataly Chaves de Freitas (Secretaria de Educação do Pará)

A obra “Colcha de Retalhos: Estética da Decolonialidade” é resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida com professores de Artes da Rede Municipal de Belém-PA, articulando memória, identidade cultural e práticas de pertencimento sob uma perspectiva decolonial. As narrativas pictóricas que compõem a colcha foram produzidas pelos participantes da tese, com autorização do Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 6.801.142, de maio de 2024), assegurando o respeito às diretrizes éticas da investigação.

Construída de forma coletiva, cada retalho representa uma narrativa pictórica singular contendo expressão estética de vivências, afetos, ancestralidades e trajetórias formativas, que, ao serem reunidas, configuram um todo plural, em consonância com a teoria do paradigma singular-plural de Josso (2007, 2010), que compreende as individualidades na sua interdependência com o coletivo.

A criação combinou técnicas manuais, como bordado, pintura e desenho, colagens, com a organização digital no software Canva, preservando a materialidade das obras originais e potencializando a leitura visual conjunta. Inspirada na metáfora da “colcha de retalhos” como dispositivo metodológico, a proposta estabelece diálogo com autores como Paulo Freire (educação estética e conscientização), Walter Mignolo (decolonialidade), Jorge Larrosa (narrativa e experiência) e Theodor Adorno (arte como resistência). A obra expressa uma prática investigativa que é, simultaneamente, poética, política e pedagógica, reafirmando a arte como campo de resistência e construção de novos horizontes culturais.

Colagem digital composta por fotografias de diversos trabalhos artísticos individuais. Cada retalho apresenta técnicas variadas como bordado colorido, pintura com tintas, desenhos à mão, colagem de recortes, feitos em tecidos e papéis. Entre os elementos visuais estão um coração anatômico vermelho, árvores com raízes aparentes, frases manuscritas em volta de borboletas azuis, um carro e uma moto bordados em tecido xadrez lilás, figuras humanas estilizadas, setas com datas (1994, 2011, 2013), padrões orgânicos em verde e azul, páginas abertas ilustradas, e rostos estilizados em cores vivas. O conjunto está disposto sobre um fundo azul e rosa, formando uma composição harmoniosa e colorida.

Contexto de criação: Produção acadêmica, coletiva, vinculada à tese de doutorado em Educação (UNICID, 2025).

Técnica e recursos: Bordado, pintura, desenho, colagens diversas e finalização com colagem digital (Canva).

Base teórica: Paulo Freire, Walter Mignolo, Jorge Larrosa, Theodor Adorno.

Linguagem Intoxicante

Ninna Callistris (Labjor-IEL/Unicamp)

A arte faz parte de um conjunto, chamado “Linguagem Intoxicante”, que trabalha com a ideia de linguagem como vírus, a partir da noção de Paul Preciado na obra “Dysphoria mundi: O som do mundo desmoronando” (2023). O texto inscrito nas imagens é o poema “Palavras” de Manoel de Barros na obra “Meu quintal é maior do que o mundo”. As manchas vermelhas que percorrem de uma fotografia a outra mexem com a noção de intoxicação da linguagem, embriagando o leitor e intoxicando a língua como elemento fluido, construtor e destruidor da vida. As imagens atuam como uma orquestra inspirada na obra “As quatro estações” (1723) do compositor Antônio Vivaldi, a sequência dos acontecimentos é a seguinte: “Palavras”, “Primavera – O nascer, ou o destruir”, “Verão – O desvendar”, “Outono – O descanso, ou o acobertar” e, por fim, “Inverno – O renascer”. O poema na íntegra é o seguinte:

Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com a sua flauta de couro. O grilo feridava o silêncio. Os moradores do lugar se queixavam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram de debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a linguagem. E não eu. (Barros, 2015)

O LABJOR

O Labjor é um centro de referência para a pesquisa e a formação em divulgação científica e cultural no Brasil. Faz parte do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).  

REALIZAÇÃO